Salão Clássicos 2016

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Bicicletas Antigas | Pasteleiras

Bibliografia da bicicleta

BICICLETA – velocípede de duas rodas, geralmente de igual tamanho, sendo a segunda ou a de trás posta em movimento por meio de uma corrente ligada a um pedal.

Biciclo – velocidade de duas rodas.

Cicleta – espécie de velocípede pouco usado.

Ciclo – nome genérico de aparelhos de locomoção, tais como velocípedes, bicicletas, etc.

Velocípede – espécie de caminho ou de cavalo mecânico composto de um assento e duas rodas ou três rodas, tendo na dianteira dois pedais por meio dos quais o velocipedista, com um movimento alternado dos pés, o faz mover, comunicando o impulso ao aparelho todo.

Pasteleira – certa forma antiquada de bicicletas com o guiador alto, talvez por ter sido o seu uso comum entre os pasteleiros que faziam entregas aos domicílios. 

Histórico dos últimos 70 anos da bicicleta

Ao longo de muitos anos a bicicleta foi um dos meios de transporte mais utilizados, principalmente pela classe operária. A bicicleta era o meio de transporte mais fácil de obter para que as pessoas se pudessem deslocar para fazer compras, trocas ou irem trabalhar. Havia bicicletas com rodas 28 e 26.

Ao longo de muitos anos, os ferreiros e serralheiros foram alterando as grades de transporte, pois era muito frequente fazerem alterações consoante os materiais a transportar.

Os velocípedes transportavam o cesto da merenda ou, se fosse necessário, ferramentas de trabalho. Não nos podemos esquecer que era com este transporte que os pedreiros iam trabalhar, por vezes até para fora do concelho.

Os padeiros distribuíam o pão de casa em casa; os sapateiros entregavam calçado consertado e levavam outro para consertar; agricultores levavam as bicicletas para as quintas e traziam na grade alguns alimentos colhidos ou por vezes um carro de madeira com duas rodas atrelado à grade.

Na construção da Lagoa Comprida, na Serra da Estrela, foram recrutados muitos pedreiros da nossa região para lá trabalharem. Trabalhavam à jornada e só vinham a casa passado bastante tempo, e claro, alguns levavam para lá a sua bicicleta, porém as suas ferramentas iam sofrendo o desgaste do trabalho. O filho de um ferreiro local fez várias viagens para a serra na bicicleta e levava os picos novos ou restaurados e trazia de volta os picos já gastos e esmurrados de tanto bater no granito.

Ao domingo a bicicleta também era utilizada, mas na maior parte dos casos por lazer, pois era neste dia que iam visitar um parente mais afastado, ou algum familiar ou amigo, assim como ir às feiras do mês e às várias romarias da região. Antigamente, em dias de festa da Sra. das Preces, Sr. das Almas, Sra. dos Milagres e Sta. Ana, era frequente ver um parque com dezenas e dezenas de bicicletas estacionadas, de muitas cores e marcas. No final da festa, após o arraial, muitos eram aqueles que já viam duas estradas para voltarem para casa, ou que acabavam por cair e adormecer um pouco para depois seguir caminho.

No final da década de 60 do século XX as bicicletas sofreram uma alteração: além dos tradicionais travões de alavanca também apareceram os travões de ferradura ou de cabos de aço. Nesta época foi frequente as pessoas alterarem ou mandarem modificar os seus velocípedes para os travões de cabo de aço ou fio, pois era mais moderno. Nesta altura eram poucos os jovens que tinham bicicleta pequena. Aprendiam a andar de bicicleta metendo a perna no meio do quadro da bicicleta para homens ou então nas raras bicicletas de roda 24 ou roda 20.

Na década de 70 aparecem já vários modelos para os jovens. Quem não se lembra das bicicletas roda 20 em que o quadro dobrava a meio, para mais facilmente ir de viagem ou férias. Apareceu também um modelo chopper dotado de um assento comprido com encosto, guiador alto e rodas diferentes, pois tinha roda 20 atrás e roda 16 à frente.

A seguir surgem as famosas BMX, que a juventude tanto aproveitou para fazer cross, saltos e claro, alguns arranhões. Nesta altura as chamadas Pasteleiras são praticamente só comercializadas com roda 26; os compradores preferem os travões de fio e surgem modelos com um guiador mais alto a imitar os guiadores das motorizadas de cross. A juventude que tinha bicicletas alterava-as para o guiador alto e largo. Com os velocípedes mais leves – porque estava na moda tirar guarda-lamas, guarda-correntes e grade – havia “artistas” que faziam acrobacias dignas de aplausos, como fazer o pino na roda de trás e andar o tempo que fosse possível.

As pessoas de meia-idade mantinham as suas bicicletas originais ou com pequenas alterações, e estas foram a sua companhia e por vezes até bengala, dado que ainda hoje por vezes avistamos nesta zona homens de idade avançada que utilizam a bicicleta nas descidas e trainel, e as subidas são feitas com ela ao lado.

Curiosamente a bicicleta com travões de alavanca manteve-se até aos dias de hoje no mercado, embora tenham mudado a sua produção para países subdesenvolvidos (como a Índia).

Claro que ao longo de tantos anos muitas foram as bicicletas que ficaram esquecidas no prego da loja ou no barracão; só há poucos anos é que alguém se lembrou de voltar a promover este meio de transporte como passatempo. Desde então a procura de bicicletas antigas disparou um pouco por todo o país. Negociantes de antiguidades, colecionadores e pessoas que querem voltar a ter algo que tiveram há anos, e claro, aqueles que as guardaram e não as venderam, voltam agora a pô-las em andamento para darmos pequenos passeios com boa disposição, camaradagem e união, respirando o ar da natureza e desfrutando das belas paisagens da nossa região. 

A BTT LAZER criou o primeiro evento de bicicletas antigas no dia 26 de junho de 2011, ficando o último domingo de junho determinado como o dia do nosso evento.

 

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